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Não tem como fazer sentido porque a vida não tem sentido. Nascer para morrer? Amar para se decepcionar? A vida é feita de desapegos, do início ao fim.
Você é raro e lindo, John. Eu me apaixonei por você, mas, acima de tudo, conhecer você me fez perceber o que realmente significa o amor verdadeiro. Quando fecho os olhos, vejo seu rosto; quando caminho, é quase como se conseguisse sentir sua mão na minha. Essas coisas ainda são reais pra mim, mas aonde uma vez elas trouxeram conforto, hoje provocam dor.
Amanhã com certeza será um novo dia para todos nós. Talvez não consiga perceber que mesmo depois de chorar por uma noite inteira, sua vida vai continuar. Talvez não perceba que chorar por uma noite inteira não te matou afogado. Você vai superar, acredite. O dia acaba para que todos possam recomeçar do zero todos os dias e terem a oportunidade de escolherem seus caminhos mais uma vez. Sei como é soluçar de tanto chorar. Também sei a sensação que é passar horas vomitando por ter enchido a cara para esquecer das dores de cotovelo. Mas quer saber? Passa. Nenhuma decepção te mata, vai por mim. Não pensa que tudo acabou agora, a melhor parte ainda está por vir. Hoje é só mais um dia ruim, mas você terá muitos dias para poder fazer diferente.
A vida é como um parque de diversões, nós somos crianças no gira-gira. Em alguns momentos ficar girando é legal, damos risadas, sentimos friozinho na barriga, ficamos felizes. Em outros momentos aquela “giração” toda começa a dar enjoo, aflição, tontura. Então precisamos parar, aceitar aquela tontura toda, pegá-la no colo e fazê-la passar. Quando tudo se acalma decidimos se queremos tentar de novo ou não. A vida também é uma gangorra: uma hora estamos lá em cima, vendo o mundo sob outro prisma, abraçando as nuvens e outra hora estamos lá embaixo, com os pés no chão, avistando o horizonte de frente. A vida é um balanço: nós vamos para a frente e para a trás. Buscamos impulso, força, estímulo para seguir e recuamos, para pedir ajuda ao passado e andar de encontro ao futuro. A vida também é escorregador: subimos degraus, chegamos ao topo e num piscar de olhos descemos até o chão. Muitas vezes a queda é violenta, caímos de boca no chão, comemos areia, ralamos joelhos e cotovelos, nos machucamos e choramos.
Eu sou assim. Eu ando rápido, olhando para baixo, fico nervoso com frequência e com muita facilidade. Falo com sinceridade, na lata, sem medo. Eu não gosto do demorado, não gosto do que é duvidoso, do que é enrolado. Eu só gosto daquilo que vem e que fica, e não daquilo que vem, e daqui a alguns momentos, se vai.
Eu te vejo hoje à noite quando eu sonhar.
Você não sabe amar. Não pode. Não é feito pra você. Dê meia volta, por favor, sem atropelar, sem matar, sem cair, sem levar ninguém. Na tristeza dura de quem tem tanto tamanho mas não tem força pra suportar. De quem tem tanto tamanho e não consegue pôr medo em ninguém. De quem precisa tanto de abraço mas é grande demais pra sentir os braços em volta.