Hostage
Não tem como fazer sentido porque a vida não tem sentido. Nascer para morrer? Amar para se decepcionar? A vida é feita de desapegos, do início ao fim.
Não foram poucas as vezes que me senti um “tanto faz” na vida das pessoas.
Vai lá. Se faz de forte. Finge que está bem. Quem se importa, não pergunta - Percebe, te aquece, te ajeita. E o melhor de tudo: Não pede nada em troca.
- Você era mais forte.
- Eu era “mais” tantas coisas.
- Deixou de ser?
- Cansei de ser.
Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros… quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas, reticências… eu vou gostando… eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou… e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos… e vou… dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.
Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são burros demais para perceber que não estou mais ali.
Te amar em segredo é um sacrilégio, e quem vai me atirar a primeira pedra, por ter te amado?
Amo aquilo que acrescenta, alivia, ampara e faz sorrir. Detesto indelicadeza, agressão gratuita, deboche velado e quem deixa o ambiente pesado.
Desde pequenos aprendemos a nos despedir. Nascemos de um parto.
Um milhão vezes zero é zero. Não coloque sua intensidade onde não tem nada.
Sossegue esse coração inquieto e se ame primeiro.